27 de abril de 2013

Writing About Places #2 - Pittsburgh

Há anos e anos que sou muito fã do Andy Warhol, tanto que quando decidi vir para NY prometi a mim mesma que ia a Pittsburgh ver o Andy Warhol Museum.
Entretanto passou-se um ano e continuava sem lá ir, porque não tinha companhia ou porque não dava jeito. Até que vi que a Aimee Mann ia lá tocar e disse que era desta! Comprei os bilhetes de autocarro e o do concerto e meti-me a caminho.
Saí de Manhattan às 3:15, parei em Philadelphia às 5:40 e ao meio dia estava em Pittsburgh. Perdi-me (claro) mesmo com os dois mapas do iPhone, mas lá me orientei e fui andando até ao rio. Uma coisa que me fez muita confusão logo foi o silêncio. Estou muito habituada a NY em que há sempre (ênfase neste sempre) barulho. Sirenes, buzinas, pessoas a falar alto, pessoas ao telefone, malucos a gritar, etc. Em Pittsburgh as pessoas falam baixo e não se ouvia uma buzina ou uma sirene. É uma cidade muito gira, que me lembrou um bocadinho São Francisco.
Cheguei ao rio e atravessei a Andy Warhol Bridge (que me deixou logo muito bem disposta) e cheguei ao museu. São sete andares quase só de Warhol.
No 7º estava a exposição Regarding Warhol: Sixty Artists, Fifty Years que tinha visto no Metropolitan e não amei. Nos outros andares havia muitos filmes, quadros, roupas, quadros de outros artistas (havia vários das séries de stills da Cindy Sherman, que eu adoro), etc. Havia um expositor com uma das perucas do Warhol, que eu dava anos de vida para a trazer para casa. Não pude tirar fotografias porque era proibido.
No andar de baixo tinham uma mini "Factory", onde os visitantes podem fazer a sua própria serigrafia. Claro que eu fui logo fazer uma, há anos que sonhava em fazer uma serigrafia. Tinham também um photobooth que me levou 6$, não fosse eu uma fanática de photobooths.
No fim fui à loja, onde comprei coisas que me estavam a fazer imensa falta, tipo uma capa para o iPhone, (mais um) livro sobre o Andy, cinco ímans - que era a única coisa que precisava mesmo de comprar e uma bolsinha muito gira para substituir o necessaire da TAP que servia de bolsa de maquilhagem. Foram 5 horas de Warhol que me tornaram numa pessoa mais feliz e mais culta.
Saí do museu e fui-me sentar num parque à beira-rio, onde fiquei uma hora a apanhar sol e que me soube pela vida.
Entretanto eram quase horas do concerto e fui para o teatro, mas como eu sou muito boa com horas (nunca confiem em mim quando digo a que horas alguma coisa é - 80% das vezes está errado), cheguei uma hora mais cedo. Lá me fui sentar e a sala era muito gira e podia ser num teatro português, lembrou-me os meus anos a percorrer o país a ver concertos e concertos.
O Ted Leo, que é amigo da Aimee, fez uma primeira parte muito divertida e depois veio a própria. Que com 52 anos é alta, magra e parece que tem 30. A Aimee tem uma energia muito boa em palco e é muito engraçada. Cantou várias músicas do novo álbum, que é lindo e dos mais antigos, incluindo quatro da soundtrack do Magnolia. Foi um concerto muito muito bom.
Quando saí ainda faltavam 3 horas para o meu autocarro e quando ia chamar o taxi conheci dois casais que estavam à espera da Aimee. Dois deles eram muito simpáticos e entretive-me a conversar com eles, mas o homem do outro casal estava muito muito muito bêbedo e foi grosseiro e mal educado. Entretanto a equipa técnica pediu para nos irmos embora, eles os quatro muito tristes porque era a segunda vez que não conseguiam falar com a Aimee. Chamei o meu taxi mas avisaram-me que ia demorar e sentei-me à espera ao pé do autocarro da tour, que era o único sítio em que tinha a certeza que havia pessoas por quem gritar se acontecesse alguma coisa.
Estava eu sentada na paz do Senhor, quando um carro parou à minha frente e saíram três pessoas lá de dentro, incluindo a Aimee. Tive um momento em que pensei em ficar sentada e não lhe dizer nada, mas dei um par de estalos psicológico a mim própria, levantei o rabo do chão e fui dar-lhe os parabéns pelo concerto. Foi amorosa e é linda de morrer (tornou-se na minha nova girl crush). O taxi chegou dois minutos depois e eu ainda estava em choque com a sorte que tive.
Quando estava no autocarro, às duas da manhã, tive uma mini conversa de tweets com a Aimee que só por si, já valeu as nove horas de viagem para lá e para cá e o cheiro nauseabundo que estava no autocarro de regresso.
E são estas coisas como pegar em mim mesma e ir a Pittsburgh passar um dia, ver um museu, um concerto e ainda conhecer uma das minhas cantoras preferidas de sempre que me fazem mesmo feliz.


Nascer do sol em Philadelphia 

Pittsburgh


Andy Warhol Bridge

A entrada do museu

A única fotografia que consegui tirar. Quem me segue no
Instagram (@mariaescaja) já a viu como profile picture.
É provavelmente a minha fotografia preferida do Andy.

A minha primeira serigrafia (e desconfio que não foi a última).

Eu a divertir-me com pouco.

A vista da tarde.


A sala do concerto.

A Aimee e a banda (isto da câmara do iPhone...)

Eu sei que já postei isto ontem, mas...

12 comentários:

  1. https://www.facebook.com/pages/Holey-bag/319349331525458?ref=hl

    Quem gosta? :)

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  2. Adoro o teu cabelo, ficou mesmo brutal! Eu estou a ganhar coragem para pintar o meu.
    kiss

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  3. obrigada!!!! adoro ler coisas destas!!!!! :)
    aproveita a oportunidade que tens de morar aí! deve ser lindo! :)

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  4. que sorte :) Adoro o warhol (e a sedgwick!). Tinha muitas referências a ela?

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    1. Tinha! Tinha imensos vídeos e filmes com ela :) também adoro a Edie!

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    2. eu sempre tive um fascinio enorme por tudo o que metesse warhol, edie, bob dylan e lou reed, depois vi o factory girl e o caso ficou ainda pior.
      Esse museu vai para a minha bucket list. :)

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  5. Dias assim são maravilhosos e inesquecíveis. Há uns meses tirei foto com e tirei fotos com a Paula Morelenbaum, q veio a Lisboa, e fiquei tb em estado de graça! Viajar é delicioso, e com surpresas reluzentes ainda mais. Parabéns pelos 20 anos. Foi talvez a idade q mais gostei de fazer, até fazer 30...há quase 7 anos.

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