20 de março de 2013

A propósito do dia da Felicidade

"Ser feliz por momentos é algo de que não se deve ter vergonha. Momentos que o fim torna ridículos. A felicidade, como o amor, é um sentimento ridículo. Mas a felicidade, como o amor, só é ridícula quando vista de fora. A felicidade, como o amor, só é ridícula antes ou depois de si própria. A felicidade são momentos que, no seu presente fugaz, são mais fortes do que todas as sombras, todos os lugares frios, todos os arrependimentos. Ser feliz em palavras que, durante essa respiração breve, mudam de sentido. E nem a forma do mundo é igual: o sangue tem a forma de luz, as pedras têm a forma de nuvens, os olhos têm a forma de rios, as mãos têm a forma de árvores, os lábios têm a forma de céu, ou de oceano visto da praia, ou de estrela a brilhar com toda a sua força infantil e a iluminar a noite como um coração pequeno de ave ou de criança. Momentos que o fim torna ridículos. Momentos que fazem viver, esperando por um dia, depois de todas as desilusões, depois de todos os arrependimentos e fracassos, em que se possam viver de novo, para de novo chegar ao fim e de novo a esperança e de novo o fim. Não se deve ter vergonha de se ser feliz por momentos. Não se deve ter vergonha da memória de se ter sido feliz por momentos."

José Luís Peixoto, Uma Casa Na Escuridão

3 comentários:

  1. Fantástico e muito verdade, a vida é demasiado curta para termos vergonha de sermos felizes, para nos preocuparmos com o que os outros pensam, porque, na verdade, só nós podemos viver a nossa vida, só nós podemos ser felizes e, no final, mesmo que tenhamos sido julgados a torto e a direito, nós fomos felizes e os outros viveram inebriados num julgamento constante que só lhes trouxe infelicidade. Logo, toca a cagar nos (desculpando a linguagem) e vamos viver a nossa vida o mais feliz que podermos!

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