28 de novembro de 2012

As amizades emigradas

Quando me mudei para NY, passei os primeiros meses bastante sozinha e demorei a perceber porquê, até que numa aula de Tai Chi, o meu professor disse qualquer coisa como "vocês mudam-se para cá e querem recrear o grupo de amigos que tinham antes... not a good ideia". Aí percebi que o meu problema era exactamente esse: estar demasiado agarrada à ideia de amizade que tinha antes e achar que ao fazer amigos novos, estava de alguma forma a trair os de Portugal. Queria criar amizades como as que tinha antes, só que esses estão comigo há anos, conheço-os bem e eles a mim, às vezes melhor do que eu própria. Só que aqui não pode ser assim, aqui tem que se começar tudo de raíz, começar a dar mais a algumas pessoas e às vezes levar com portas na cara (que levei). Mas eles apareceram. Amigos. Não conhecidos como os que já tinha, para as festas e para jantar fora, mas amigos mesmo. Estamos todos longe de casa, sem família, sem ninguém e isso torna-nos mais próximos. Somos a família uns dos outros, e estamos verdadeiramente disponíveis quando alguém precisa. Não há cá merdas, se somos somos, se estamos estamos. Somos mais honestos e mais descomprometidos, mais protectores uns dos outros e há sempre coisas novas para descobrir uns nos outros. São laços rápidos mas fortes. São pessoas sem as quais eu já não me imagino e sei que lhes devo a eles parte da minha vontade e certeza de querer ficar em NY.
E o melhor é que sempre que aterro em Portugal, lá estão os amigos de sempre prontos para me receberem, como se o tempo não passasse.

14 comentários:

  1. Maria, não deve ser um processo fácil, mas a verdade é que a tua vida centra-se aí, e por isso mesmo faz todo o sentido fazeres amigos, porque uma vida sem amigos é vazia e porque necessitamos de nos sentir acarinhados, por isso fazes muito bem em alargares o teu grupo de amigos!
    Beijinhos

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  2. E é mais difícil ainda quando fazemos amigos que vão e vêm, em cidades/ambientes em que as pessoas circulam. E não é fácil: são amigos-relâmpago, damos-lhes muito mais e mais depressa porque estamos mais desamparados e porque sabemos que não temos "para sempre". Mas depois é tão bom: podemos viajar e temos sempre um sofá à nossa espera e um abraço, seja onde for.
    (bom, e aprendemos a valorizar as coisas mais importantes e a deixar algum daquele non-sense que eu pelo menos tinha quando vivia em Portugal com os amigos de sempre. Eles agradecem, eu também).

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  3. Quando penso na possibilidade de emigrar, o que mais me assusta é mesmo isso, estar num país completamente sozinha, ter que começar do zero! Assustador. . .
    Maria tenho adorado o teu blog, NY é o meu destino de sonho e poder acompanhar o teu dia-a-dia aí . . . AWESOME . .

    Rita

    http://ritabf.blogspot.pt/

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  4. Gostomuito do teu blog. Uma pergunta que não tem nada a ver: Tens um Instagram?

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  5. Os amigos são a família que escolhemos. É um cliché, mas é tão verdade.

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  6. Admiro te muito. Sei que quando acabar o curso vou sair deste país e custa me imaginar me sem a minha família e sem os meus amigos.
    Espero que tenha a mesma sorte que tu!

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  7. gostei e fiquei entusiasmada com essa descrição..acaba por dar força a quem pensa emigrar.

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  8. eu acabei por emigrar para o Dubai nas mesmas condições, os meus amigos do curto curso que fizémos chegram todos no mesmo dia e MELHOR viviamos todos no mesmo prédio.
    O tempo pode passar, cada um pode voltar para o seu país de origem, podemos continuar com os nossos horários loucos mas encontramo-nos sempre na minha casa nova para um barbeque, todos os meses pelo menos UMA VEZ. É mandatory!
    A vida longe dos amigos não vale nada, eu tenho sorte, acabei por construir família pelo deserto e apesar de isto não se a terra dos meus sonhos tenho todos os meus sonhos em mim e nós.
    Não somos muitos mas somos suficientes para enchermos a casa de felicidade.

    Até hoje, nunca fiz amizades tão rápidas e com elos tão fortes como aqui, ganhei tanto, cresci tanto e tão pouco e só me fez mais forte e ter cada vez mais a certeza que cada pessoa que passa na nossa é insubstituível.

    É a vida.....e a vida é boa :)

    toda a sorte do mundo*

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  9. Para as pessoas que pensam em emigrar e estao com receio: para mim sinto ser como a Coca Cola, primeiro estranha-se depois entranha-se.

    Nao e' facil chegar a um sitio onde nao conhecemos ninguem. Onde tudo funciona de maneira diferente, as pessoas pensam e agem de maneira diferente. Ha uma luta intrinseca claro, mas o processo de adaptacao, de descoberta e' uma aventura que vale muito a pena. Aprende-se tanto, muda-se tanto.

    Eu vim para os EUA no ano passado, tirar um doutoramento, perto de NY por sinal (which is awesome!). Tinha 22 anos e ate la sempre tinha vivido com os meus pais. Drastico e' pouco para definir a mudanca. Mas hoje sinto que no final do doutoramento, quero ir para um outro sitio completamente diferente e ter de passar por todas as adaptacoes necessarias. Tornou-se um processo viciante e acaba-se por perder o medo da novidade.

    Marta

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  10. Eu também estive a viver nos USA no ano passado, e concordo muito contigo. Apesar de nunca ter pensado que iria fazer amigos como os que tenho em Portugal (voltei há menos de um mês), foi dificil e demorou alguns meses. Mas depois vim embora com a lágrima no canto do olho, com muita vontade de ficar e infelizmente com a dúvida de se algum dia os poderei voltar a ver.

    Desejo te muita sorte por aí.


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