15 de novembro de 2012

quem nunca pecou, que atire a primeira pedra

Estando a viver fora, se há coisa que faço questão de fazer é manter-me a par do que se vai passando em Portugal, mas nesta última semana senti-me envergonhada. Primeiro foi incapacidade de metade do país em perceber o que a Isabel Jonet quis dizer (did the show fit to well?) e de verem insultos e injustiças onde tudo o que havia era verdade (não vale a pena o discurso dos pobrezinhos que foram insultados porque há muito tempo que não tinham dinheiro para bifes - não era desses que ela estava a falar). Ontem foram duas horitas a atirar pedras à polícia em frente à AR. DUAS HORAS. Todos aqueles polícias estiveram DUAS HORAS a levar com pedras em cima, quietos e calados. E avisaram que iam carregar em cinco minutos. E carregaram. E então caiu o Carmo e a Trindade, porque aqueles tiranos e fascistas (para quem não sabe, fascista é o que se chama a quem faz alguma coisa para controlar ou abrir os olhos ao nosso povo primitivo) bateram nas pessoas, coitadinhas, que estavam só a defender os seus direitos à pedrada, porque o povo pode bater na Polícia mas a Polícia não pode bater no povo, que é abuso de autoridade. Faz sentido, não faz? E não me venham com a vitimização dos pobrezinhos que não atiraram pedras e também levaram, porque quem está ali DUAS HORAS a ver aquele espectáculo degradante e não vira as costas e se vai embora é quase tão culpado como os outros. Por isto e por muito mais é que quando alguém me diz "I read on the news that in Portugal..." eu já me encolho e penso numa maneira de fugir. E por isto é que só a ideia de ter que voltar para Portugal me tira o sono e a fome. Quando formos um país civilizado, talvez me dê vontade.

Update: em frente ao ISEG estavam a vender pedras da calçada a 1€ para serem atiradas à Polícia. Sem comentários.

14 comentários:

  1. Pois que é verdade e também eu concordo com o que dizes. Mas as vezes penso que sou eu que estou errada. As pessoas esquecem-se que os Polícias também sao gente, também tem problemas, carne e osso e que têm que aguentar muita coisa e depois quando chega a hora de cumprir a ordem ai jesus que são maus e coiso e tal. Haja paciência.

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  2. Apesar de teres razão no que toca ao facto de a policia ter levado pedradas durante uma imensidão de tempo, devo referir que havia policia à paisana no meio dos prevaricadores, portanto se tivessem querido tinham apanhado os meninos ali mesmo.
    E por ultimo, será que dirias isso se a tua mãe, ou pai ou alguém da tua familia lá estivesse a gritar pelos direitos?
    Falar é fácil, menina.
    Sempre contra a violência, mas quanto ao resto foi pura simplesmente para mostrar o braço armado do estado/governo!
    É pensar antes de falar e antes de botar demagogia cá para fora.

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    1. Diria exactamente o mesmo. A minha posição em relação à violência e à agressão a quem só está a fazer o seu trabalho (ou qualquer outra pessoa) não muda por conhecer ou não quem lá esteve. E há uma grande diferença entre gritar pelos seus direitos e atirar pedras a polícias ou compactuar com isso. Aquilo já não era uma manifestação, que essa foi antes. Aquilo já só era um espectáculo degradante do estado a que o país chegou.
      E o que diria se a sua mãe, ou pai ou alguém da sua família fosse um daqueles polícias?

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  3. Queremos ser vistos como um país de 1º mundo e "parecer ter" um nível de vida "à medida" de uma Europa evoluída e civilizada mas em muitas coisas - até nas mais básicas - estamos muito longe de o ser.

    Bem vinda à Blogosfera Maria.

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  4. Maria
    Aqui a questão é muito simples.
    A psp se tivesse querido tinha rodeados aqueles 15 ou 20 macacos na hora. Mas as ordens eram para dar o exemplo, era para mostrar a força, para que à próxima as pessoas penssassem duas vezes.
    Se fossse a minha mãe ou pai diria o mesmo. A policia cumpre ordens, nada mais que isso. A ordem veio de cima. O que diria se o seu pai fosse o senhor macedo? O senhor que tendo casa em miraflores estava a receber subsidio como se fosse de fora de Lisboa!
    Acha que o que esta gente diz é verdade?
    As pessoas estão fartas, por isso não vejo qual o problema de ali estar a assistir! Claro que nunca deveriam ali estar com crianças! Isso nunca. Tal como nunca deveriam impedir os moradores de poderem voltar para casa, e foi isso que fizeram.
    não se junte aos que se acham donos da razão e ponha-se sim, no lugar de quem está a sofrer na pele e está farto de tanta mentira.
    Violencia nunca, temos de ser inteligentes!

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    1. Se o meu pai fosse o Macedo ou outro ministro deste governo (com a excepção de um ou dois) enterrava-me num buraco e por lá ficava. Não acho que quase nada do que dizem seja verdade mas continuo a achar um disparate alguém pegar em pedras e atirar a um polícia.
      E isto não é achar-me dona da razão, é a minha opinião no meu blog.

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  5. Fiz um comentário muito parecido no meu blog sobre estes acontecimentos, com a diferença de começar por testemunhar o que acabei por assistir, infelizmente (era dia de aulas do meu mestrado no iseg). Fiquei muito triste e revoltada nesse dia e partilho totalmente a tua opinião. Para mim aquilo foi uma demonstração de total ignorância, nada mais. Espero que isto melhore ou sou eu a querer fugir também.

    Boa semana! ;)

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  6. É pá Maria mas aí estamos de acordo, certo?
    Não podes é dizer que é bem feita para os outros todos, e que não deviam ali estar etc, etc.
    Se ninguém se manifestar (pacificamente) e se não estivermos todos unidos, aí é que não conseguimos nada. Não te parece?
    E eu sei que o blog é teu. Mas que raio, que a malta toda utiliza o mesmo argumento?! Tenham calma, caramba!

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    1. Atenção, a única coisa que eu disse foi que quem assistiu é quase tão culpado como quem atirou pedras, não que "é bem feita". E eu sou completamente a favor de manifestações pacíficas. Aliás, quando estive em Portugal em Setembro fui a duas.

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  7. Parabéns pelo blog. vim pela pipoca e estou a gostar. também vivo fora de Portugal e acontece o mesmo em relação as notícias... e estas foram mesmo para a vergonha. :/

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  8. Eu estava a gostar deste blog.



    Até chegar aqui.

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  9. Pois é! Eu não sou nada de escrever em blogs, até porque sou de uma geração que não tinha internet, mas já estou um bocadinho farta deste assunto dos "pobrezinhos" desesperados que estavam em frente à Assembleia da Republica a expressar-se "com veemência" (leia-se pedradas!).
    Conheço várias pessoas que estão a passar por ENORMES dificuldades, muitos deles são amigos meus que, até há bem pouco tempo, tinham vidas "normais" - ganhavam o suficiente para fazer face às despesas mas, então, veio o desemprego, a redução dos ordenados,... e a equação alterou-se drasticamente, para pior, claro.
    Mas o que eu vejo é que esses participam em manifestações pacíficas, como têm sido quase todas, e tentam fazer-se ouvir de todas as formas que encontram (democraticamente!). E democracia não é andar a atirar pedradas à polícia, como se fossem eles, a polícia, a causa dos nossos males - o que não se diria, em Portugal, se a polícia portuguesa tivesse agido como a polícia espanhola. Quanto à velha frase "ah, pois, se fosse a tua mãe, a tua avó, o teu marido.... falavas de outra maneira". Isso sim é demagogia, como se um qualquer princípio pudesse ter como excepções a nossa família. Eu, se tivesse lá alguém da minha família, dizia exactamente o mesmo: não é assim, em democracia não é assim! Ficava preocupada, claro, iria ao hospital, claro, mas o princípio mantinha-se o mesmo: só lá ficou quem quis! E lá voltamos à democracia: de facto, ficou lá quem quis, e ainda bem que puderam escolher; escolheram ficar e este era o resultado previsível. Agora não se queixem. (Isto não quer dizer que seja bem feito, que não é, mas é uma consequência). Ninguém pode ter ficado contente com as imagens da polícia a carregar sobre as pessoas, indiscriminadamente, claro, porque nestas situações é assim mesmo - e TODOS sabemos que é assim. Mas também não ficámos contentes com as imagens de 2 horas de pedradas contra a polícia.
    Mas ir para a rua "arruaçar" (acho que a palavra não existe, mas terá com raiz a palavra arruaceiros...) isso já podemos, porque até é para defender os mais fracos, os pobres: os pobres não precisam de quem os defenda, precisam é de quem os ajude! Como se o princípio justificasse os meios: e já vimos, na História, que quase nunca justifica! Os que atiraram pedras são vândalos e serão vândalos em qualquer situação - o que lhes interessa é a confusão e a "porrada" (que palavra feia, mas muito a propósito) e duvido que as pessoas que estão a passar por grandes provações se revejam nessa gente! Revêem-se em pessoas como Isabel Jonet que, essa sim, tem legitimidade em falar em nome dos pobres porque, essa sim, lhes tem dedicado o seu trabalho, e há tantos outros que lhes têm dedicado a vida... uns conhecidos e outros anónimos!

    Se não se concorda com o governo e com as suas opções faça-se por o alterar, arranje-se uma verdadeira Oposição, e vá-se votar (também tem graça a taxa de abstenção que se regista, sempre, em Portugal - elevada, claro!). Nas alturas em que, em Democracia, se pode alterar o status quo o que fazem os portugueses?? Não vão lá: ah, prefiro ir à praia, ah tenho que sair de casa e está frio, ah, isso da Europa não me interessa...(e vê-se, agora, que se calhar isso da Europa até era importante!).
    Por último quero dizer que, na verdade, duas amigas minhas foram "apanhadas" nessa confusão - uma vinha do trabalho e outra ia para um velório. E o que aconteceu? Foram ajudadas pelos jornalistas e pela própria polícia? Pois é, afinal "os mauzões não andavam a dar bastonadas a torto e a direito"

    Meus amigos, em última instância é disto que se trata: DEMOCRACIA, o direito à ESCOLHA! E umas vezes escolhe-se bem e outras mal, é a vida!

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    1. Eu tinha que sair a alguém... Acho que foi a pessoa errada que criou um blog, que a mãe tem muito mais jeito para isto do que eu!

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    2. Gosto deveras deste comentário!

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